segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ambivalência na relação mãe e filha

Nossa última roda de TCI mobilizou quase todos os participantes. Uma participante contou-nos que descobriu ter uma doença, com a qual terá que conviver por algum tempo, disse que se sentia angustiada com a situação e sozinha por estar longe da mãe. Também compartilhou sentimentos que se alteram com certa facilidade, como alegria e tristeza. Ao abrir para que os outros pudessem contar suas experiências o tema foi naturalmente se focando na relação mãe e filha(o).
Vários participantes contaram como a presença da mãe é importante para a estruturação e equilíbrio do psiquismo: “minha mãe era tudo pra mim”. A relação mãe e filha é permeada por ambivalências. Para a psicanálise a ambivalência caracteriza-se por sentimentos antagônicos, presença de amor e ódio, aproximação e afastamento. Tais sentimentos estão presentes em toda relação que se desenvolve em profundidade. Especialmente na relação mãe e filha, porque nesta há muitos conflitos inconscientes que conduzem a conflitos, repletos de afetos. Como na fala de uma pessoa do grupo: “eu e minha mãe brigávamos muito...hoje somos muito amigas”.
Concluímos que a variação de sentimentos da pessoa que trouxe o tema não ocorre, apenas, porque ela está doente ou longe da mãe, mas que é uma característica de todo ser humano, assim como o angustiar-se em relação a algo que foge ao controle, no caso a doença. A Terapia Comunitária permitiu que os participantes se identificassem com este tema e reconhecessem suas ambivalências.

domingo, 27 de março de 2011

Uma dinâmica pra relaxar

Iniciamos nossa roda massageando nossas mãos. Você pode fazer os movimentos semelhantes aos da reflexologia, e todos repetem. Em seguida pedi que todos fechassem os olhos e espontaneamente continuassem massageando suas mãos. Enquanto isso, refletimos sobre o que fazemos ou poderíamos fazer com as mãos. Cada um foi falando o que veio a mente: "faço carinho em minha filha", "uma comida gostosa". Falamos sobre a capacidade que temos de abençoar ou não com nossas mãos.
Ainda com os olhos fechados, sentados e com os pés em contato com o chão convidei o grupo a massagear, simbolicamente, o coração. Nesse momento, em silêncio, cada um ficou conversando com o seu coração: como ele está se sentindo? Triste? Esperançoso? Angustiado? Com saudades? Do que o meu coração tá precisando? De amor? Conforto? Esperança? Alegria?
Poderíamos ainda refletir sobre a relação que existe entre o que eu faço (mãos) e o que eu recebo (coração). Ao final perguntei: O que seu coração te contou? Esta é a hora de você compartilhar com o grupo o que aperta o seu coração. Na Terapia Comunitária acreditamos que quando falamos sobre nossas angústias o coração fica menos apertado. O resultado foi a postagem anterior, sobre alcoolismo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Histórias que se repetem...ou não!

O tema escolhido foi o de Ana: seu irmão está em crise de abstinência do álcool e tem apresentado alucinações persecutórias, o que desestabiliza e apavora toda a família. No momento da partilha um participante compartilhou sua história: meu pai bebeu a vida toda, hoje meu irmão também é alcoolatra e dá muito trabalho para toda a família. Outra participante contou que seu sogro bebeu por mais de 30 anos, como seu esposo, no período de abstinência ele teve muitas alucinações, mas que a família o apoiou e ele superou o vício por muitos anos. Uma terceira pessoa também tem um pai alcólatra, mas que ela quis construir uma família sem vícios, na casa dela não entra bebidas.
Percebeu-se que as histórias familiares se repetem: Pais com vícios observam que seus filhos desenvolvem vícios. Mas uma das participantes fez diferente na sua idade adulta. Falamos mais uma vez de resiliência. Quando somos feridos, magoados ou vemos nossos pais se destruindo, podemos crescer e fazer as mesmas coisas com os nossos filhos. Mas também podemos fazer diferente, podemos transformar nossas dores em alegrias. Quem nunca recebeu amor pode ser profundamente amoroso com os filhos.
Na terapia comunitária percebemos que temos a nossa frente um quadro em branco e que não precisamos copiar o que nos foi ditado. Podemos, com muito esforço, escrever algo novo. Ao fecharmos a roda convidei cada um a pensar na sua família e quais comportamentos se repetem. Depois refletimos sobre o que cada um tem feito inconscientemente que é idêntico aos comportamentos que antes eram criticados. Por fim pedi que todos ficassem atentos aos seus sentimentos e ações no decorrer da próxima semana.

terça-feira, 22 de março de 2011

Páscoa: o sol vai nascer outra vez!

O Cristo se fez carne e habitou entre nós, morreu e ressuscitou. A ressurreição é uma das metáforas mais belas e que me enche de esperança. A mitologia e a literatura estão repletas desta simbologia. Até a natureza nos fala da metamorfose: a lagarta se transforma em borboleta. Outra metáfora da ressurreição.
Gosto de uma frase: "O destino da lagarta é ser borboleta". E o destino (se é que estamos predestinados) do ser humano é transformar-se em algo melhor. Cada dia que o sol nasce Deus nos dá uma nova oportunidade de fazer um dia diferente do de ontem. Pra onde quer que eu olhe vejo mutação, a transformação, a possibilidade. Todo dia é uma oportunidade para nos transformarmos.
Que nesta Páscoa, você aproveite para fazer como Jesus, que renasça em você uma nova forma de viver, deixando para trás as coisas que não fazem bem a você e aos outros. É preciso ficar atento, como na foto, o homem está em pé olhando o nascer do sol. É preciso que você enxergue a oportunidade para a transformação. Se você não conseguir hoje, não se preocupe porque ... "é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei!"

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Só reconheço no outro o que conheço em mim"

A história do Raimundo se confunde com a de muitos Raimundos. Mas a história dele é ímpar, porque só ele a conhece do seu ponto de vista. O participante desta semana veio do Maranhão, sua mãe faleceu no parto de seus irmãos gêmeos, deixando cinco filhos. Um ano depois, o pai ganhou o mundo e nunca mais voltou. As crianças foram criadas pela avó e ele se sentiu desamparado. A questão que ele trouxe para a roda foi: "todo lugar que vou ou trabalho fico incomodado quando vejo pessoas sendo injustiçadas...eu sempre quero proteger as pessoas...um dia eu me joguei na porta do ônibus, para que ela não se fechasse numa criança, fiquei todo machucado". Para transmitir o que eu sentia enquanto ele nos contava, usei como recurso recontar a sua história na primeira pessoa, com algumas interpretações. Por exemplo: "eu me joguei na porta do ônibus, porque não tem problema eu me machucar, afinal a vida já me machucou tanto! ... eu queria proteger aquele garoto, porque quando eu precisei de proteção, ninguém me protegeu!" Em seguida perguntei: você sente que é a mesma história? Ele disse que sim. Então trabalhamos a projeção que ele faz quando se incomoda tanto com as injustiças que identifica. Parece que o Raimundo sofre com as muitas injustiças que presencia porque ele se sente injustiçado pela vida. Algumas vezes eu não percebo que quando defendo uma causa é porque ela é, antes de qualquer coisa, a minha causa. Um dos princípios da TCI é que eu só reconheço no outro o que eu conheço em mim. Se isso é verdade, de alguma forma, o outro é meu espelho. Então, é na relação com o outro que eu me reconheço. A TCI permite que cada participante, inclusive o terapeuta, se compreenda melhor.

sábado, 12 de março de 2011

Resiliência: Rejeição e amor próprio

Iniciamos a roda com uma dinâmica muito especial, conduzida por um colega, terapeuta corporal. Ele apresentou a atividade como uma vivência de aceitação e conduziu o grupo a aceitar a sua realidade (família, amigos, trabalho, colegas, salário, adversidades etc...). Após este momento fizemos uma avaliação e tiveram a oportunidade de falar como se sentiu na vivência. Então abrimos para a contextualização. Aproveitei o gancho sobre a aceitação da vida como ela é e perguntei: Qual a sua maior dificuldade de aceitação? Dentre as dificuldades apresentadas o grupo escolheu trabalhar a questão de Paula (nome fictício), que não aceita a forma como a mãe a trata: com menosprezo. Paula conta que desde criança se sentia rejeitada por sua mãe, hoje, já adulta a rejeição é ainda maior, sua mãe desconsidera até as netas. Percebi que o tema havia mudado: de aceitar a mãe para ser rejeitada por esta. Então perguntei ao grupo: Quem já se sentiu rejeitado (a) e como fez para superar? Todos começaram a pipocar, a se identificar com o tema, houve vários depoimentos, mas uma história me chamou atenção: Um rapaz contou que sua mãe o deixara em Minas, com a tia, quando ele tinha um ano e treze dias. Aos 13 anos ele veio morar com os pais, uma família estranha. Ele não conhecia os pais. Nunca mais voltou pra sua terra e hoje ele disse que aprendeu que deveria se amar. "Vi que ninguém me amava, então resolvi gostar e cuidar de mim". Jesus nos ensina que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmo. Isto quer dizer que só podemos amar o outro se nos amarmos primeiro. Amando a si ele poderá amar os outros e quando tiver seus filhos poderá amá-los. Parece que este participante está no caminho certo, rompendo o ciclo vicioso da falta de amor. Percebi neste jovem um exemplo de resiliência, ele foi capaz de transformar a falta de amor, em amor por si e pelos outros.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quando o medo de sofrer paralisa

Algumas vezes o medo de vivenciar tudo que já nos fez sofrer nos paralisa, mesmo quando não temos consciência disso. Nesta semana uma participante muito querida, que está no grupo desde 2008 nos conta que está muito angustiada com a possibilidade de reaproximação com o ex marido. A separação fora muito dolorosa, por traição, agora ele almoça lá todos os dias e pediu a chave da casa. Ela tem dificuldades de dizer não e quando o faz se sente culpada. Assim, ele foi chegando e ela paralisando. Por medo de uma nova rejeição ela não consegue agir/reagir. Forma-se um círculo vicioso, quando as sensações provocam mais medo e o medo provoca mais sensações, que provocam... por defesa ficamos como uma estátua, imóvel. Quando paralisamos, ficamos vulneráveis, permitimos que o outro se aproxime e controle a situação. É preciso, de alguma forma, sair da zona de “conforto”. Tirar as amarras e caminhar livremente. Acredito que medo pode ser desejo. Medo de reatar seria desejo de reatar. Medo de sofrer seria desejo de sofrer tudo outra vez. Quero deixar claro que estou falando de um nível inconsciente, não é racional. Conscientemente ninguém quer sofrer, se punir, ou achar que merece pagar por algo. Quanto a nossa amiga, eu penso que a pergunta não deve ser: eu devo reatar com ele? Penso que a pergunta deveria ser: eu quero reatar? E agir, caminhar, em função da resposta. Se eu quero reatar eu posso arriscar. A beleza da vida está em arriscar-se, lançar-se para experimentar o novo, ou dar uma nova chance ao velho. Imobilizado (a) pelo medo você não pode viver livremente. Ao final da nossa roda eu disse à participante: seja qual for a sua escolha a faça com dignidade e respeito por si. Seja qual for a sua escolha a faça por você e por mais ninguém!

Formação em Terapia Comunitária pela Prefeitura de Guaxupé

Há quase um ano a Prefeitura de Guaxupé trouxe para a cidade o curso de Terapia Comunitária. Uma aposta da atual administração com um objetivo muito simples e ao mesmo tempo muito ousado: capacitar gente para ouvir gente. É claro que isso é uma definição muito simplificada e até pequena diante da grandiosidade do projeto. A definição de Terapia Comunitária é bem mais complexa do que isso: “é uma abordagem terapêutica em grupo com a finalidade de promover a atenção primária em saúde mental. É um espaço de partilha de sofrimentos e descobertas, privilegiando o saber e a competência, construídos pelas experiências de vida do indivíduo, da família e da comunidade. Estimula o grupo a consolidar vínculos e “empoderar-se”.

De forma prática, a Terapia Comunitária é um instrumento de transformação de vidas, especialmente de vidas em estado de vulnerabilidade, seja social ou emocional e não necessita da intermediação de um psicólogo. O curso foi composto por 4 módulos, com uma carga horária de 160 horas de teoria e vivências, 120 horas de práticas em Terapia Comunitária e 80 horas de Intervisão. Na noite da sexta-feira, 26 novos terapeutas comunitários se formaram. A cerimônia aconteceu no Teatro Municipal e foi marcada por depoimentos emocionantes e pela empolgação de todos ao apresentar resultados impressionantes como a diminuição e até a interrupção do uso de medicamentos de pessoas que participam de algum dos 8 grupos que a cidade já conseguiu formar. Todos os alunos, hoje terapeutas, são unanimes em destacar a mudança que a participação no curso promoveu em suas vidas e que todos têm um novo olhar sobre o valor da conversa, sobre o valor de se compartilhar a vida com outras pessoas e especialmente do valor de se implantar vários núcleos de terapia comunitária em toda a cidade. A Terapia Comunitária teve sua efetividade comprovada pelo SUS e será adotada nas Unidades Básicas de Saúde. Nesse sentido Guaxupé está um passo à frente da maioria dos municípios brasileiros e a previsão é que em breve, uma nova turma para o curso será aberta e com mais profissionais capacitados, mais comunidades serão beneficiadas. Fonte: Prefeitura de Guaxupé

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pipoca na panela...pipoca aqui, pipoca ali!

A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é como uma panela aquecida e nós, o milho que começaria a pipocar. Na nossa roda de TCI aconteceu mais ou menos isso. Uma pessoa disse: "Eu sempre fui rejeitada pelos meus pais...minha mãe deixou meu pai, depois eles arrumaram outros parceiros e ninguém nunca me deu carinho...ainda hoje eu sou muito carente". Quando eu perguntei ao grupo quem havia recebido carinho de menos, foi um monte de pipoca estourando na terapia. Muitos queriam falar e sei que todos tinham o que contar. Um rapaz foi criado sem o pai, que fazia falta, mas ele passou a valorizar o que ele tinha: o amor da família materna e não o que faltava. Outra participante contou que sua mãe fora embora de casa quando ela tinha 6 meses e foi criada por madrastas, avós, madrinhas. Depois ela disse: "eu dei para os meus filhos todo o amor que eu não recebi". Falamos sobre sua resiliência, a capacidade de transformar carencia em competência. Uma terceira fora adotada e disse que nunca recebeu amor como as irmãs, filhas legítimas. Nós ressaltamos o fato de ela ter sido amada duas vezes, pela mãe que lhe deu a vida e quis proporcionar lhe uma vida melhor e pela mãe adotiva que a escolheu como filha, para amar. Outra contou que a mãe nunca lhe deu um abraço: "ela esqueceu até do meu aniversário. Mas este ano ela me ligou e disse que me amava". Três mulheres falaram das preferências de sua mãe ou pai por outros filhos que não elas. Uma senhora, com mais de 60 anos, emocionou-se ao lembrar que sua mãe:"até no leito de morte, amou mais o meu irmão que a mim, que sempre estive ao seu lado". Ao final eu agradeci a pessoa que trouxe o tema, pois nos deu a oportunidade de refletirmos sobre nossas carências. Todos temos um buraco, uma falta dentro de nós, todos sem exceção! A TCI traz à luz o que está escondido para identificarmos o buraco (a falta). Descobrimos, na TCI, que outros tem uma ferida parecida. Há sempre outra pipoquinha, com a mesma dor, estourando na panela.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Moisés de Queimados

Canções, viagens e reflexões: O Moisés de Queimados: "Foi ontem, dia 17/02/2011, de manhã. Um policial do 24º BPM (Queimados) resgatou um recém-nascido que fora jogado em um valão da Travessa Do..."
Achei o texto do Daniel muito legal! Uma reflexão sobre o bebê jogado nas águas de um rio em Queimados.
É difícil, quase impossível, entender como uma mãe pode agir assim. Penso que qualquer uma de nós que tivesse vivido a vida desta mulher e tivesse a sua estrutura psíquica poderia ter tido esta atitude. Parece que ela não deu conta de lidar com a maternidade. Como esta jovem foi desejada por sua mãe? Pode ser que parir e ver aquele bebê, em um contexto que sabe Deus quão difícil foi, despertou fantasmas inconscientes de seu nascimento. Teria ela sido violentada? Estaria em depressão? Quando pensamos nas adversidades pelas quais pode ter passado esta mulher mudamos o nosso olhar. Ao invés de criticar nos compadecemos.
Melhor não julgar... poderia ser qualquer uma de nós!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Quando o estranho nos fascina

Em nossa roda de TCI, com os adultos, tivemos um tema bastante forte. Como comentou uma participante, após a terapia: “eu nunca vi uma coisa tão cabulosa”. O diferente causa estranheza e atrai. Havia muitos novatos, éramos 18 participantes com sete novatos. Expliquei detalhadamente como funciona uma roda de Terapia Comunitária, temos regras, tempo pra celebrar, pra brincar/confraternizar e um momento de falar sobre o que nos tira o sono, nos preocupa e um desses temas apresentados seria o escolhido naquele dia. O tema que a maioria quis discutir foi trazido por uma novata, mãe de um único filho. Ana (nome fictício) compartilhou que não aceita a companheira do filho e nem os três filhos do casal. Ela nunca conversou com a moça, a viu apenas uma vez, e nunca viu nenhum dos netos. Disse que não suporta nada que diz respeito a este assunto, mas que tem gastrite e perde o sono por conta deste conflito. É impressionante como a maioria das pessoas tentou julgá-la, criticá-la, especialmente porque não há uma causa real, consciente para a rejeitar a família do filho. Foi difícil manter o controle do grupo. Quando todos ficam chocados com o tema escolhido é de se perguntar: por que escolheram este se havia outros temas? Seria curiosidade em relação ao que foge a regra? Ou o grupo queria dar oportunidade para a participante elaborar melhor a sua dificuldade? É impressionante como o estranho nos horroriza e nos fascina, ao ponto que querermos saber mais e mais. Ao final, convidei a participante a trazer o seu tema outras vezes para que ela possa identificar a origem da sua dificuldade e quem sabe superá-la. E quem sou eu pra dizer algo mais!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

TCI e adolescência: Buscando o equilíbrio


Em fevereiro reiniciamos a TCI, com o grupo com adolescentes. Em nosso primeiro encontro havia 17 garotos, entre 9 e 17 anos. A maioria deles está repetindo de ano. Percebemos que eles não têm modelos que os motivem a estudar. Nossa primeira roda de 2011 foi sobre qual a meta de cada um para este ano que se inicia.
Com apenas duas ou três exceções, os garotos são repetentes. Após comemorarmos os aniversariantes do mês fizemos uma rodada sobre o que cada um deseja realizar neste ano. No início foi difícil pra eles, mas eles são brilhantes e logo pegaram o jeito e falaram muuuuito.
Quando cada garoto estabelecia sua meta eu perguntava: e o que você precisará fazer para realizar este sonho? Ou: Se você não passou de ano e quer passar, o que faltou você fazer, ou deixou de fazer em 2010? O que você acha que precisa fazer diferente em 2011?
Outro aspecto me chamou atenção na fala dos meninos. Há um certo radicalismo nas falas. Por exemplo: Eu quero parar de falar! Eu o ajudava a encontrar o equilíbrio e estabelecer metas mais acessíveis: Você não precisa para de falar, por acaso você está querendo dizer que pretende falar menos? Em todos os lugares ou só durante as aulas?
A busca do equilíbrio é algo muito difícil, na TCI o participante aprende que pode mudar de atitude em relação à vida, estabelecendo pequenas metas. Afinal, "uma grande caminhada, começa com um pequeno passo".

A TCI na Argentina

Las inscripciones están abiertas, capacitate para actuar en comunidad.Los días 18 y 19 de febrero de 2011, se realizará en el auditorio del Parque Temático Vial de calle Joaquín V. González, dentro del Hipermercado Libertad, la formación y disertaciones sobre SENSIBILIZACIÓN EN TERAPIA COMUNITARIA, las ponencias estarán a cargo del experto brasileño y creador de esta terapia Dr. Prof. Adalberto de Paula Barreto. La sensibilización en Terapia Comunitaria permitirá conocer el trabajo comunitario que se viene desarrollando en Brasil en el campo de la salud pública, en particular de la salud mental, con el apoyo del Ministerio de la Salud, y también para discutir una propuesta de formación de terapeutas comunitarios en Godoy Cruz, Mendoza. El objetivo de la formación en terapia comunitaria es capacitar personas que actúan o que desean trabajar en la comunidad, para perfeccionar sus habilidades y conocimientos, potenciando su destreza para la movilización, concientización y organización de los grupos sociales con quienes interactúan. La sensibilización contará con la participación del Profesor Dr. Adalberto de Paula Barreto, de la Universidade Federal do Ceará, él es psiquiatra y antropólogo, creador de la Terapia Comunitaria; el Prof. Dr. Rolando Lazarte, sociólogo, escritor, miembro del grupo de estudios e investigaciones en Salud Mental Comunitaria de la Universidade Federal da Paraíba y miembro de la dirección de la Abratecom-Asociación Brasileña de Terapia Comunitaria, y la Profesora Dra. Maria de Oliveira Ferreira Filha, docente del Programa de Posgrado en Enfermería de la Universidade Federal da Paraíba, líder del grupo de estudios e investigaciones en Salud Mental Comunitaria y miembro del equipo de enfermeras experts en salud mental de las Américas de la OPS/OMS. Todos terapeutas comunitarios. Inscripciones abiertas, cupos limitados, participación libre y gratutita. A partir del día 7 de febrero de lunes a viernes de 9 a 13 horas Desarrollo Social Municipalidad de Godoy Cruz. Fonte: http://www.godoycruz.gov.ar/sitio2/?p=3219 Enviado por Rolando Lazarte

domingo, 30 de janeiro de 2011

TERAPIA DO ELOGIO por Arthur Nogueira (Psicólogo)

Renomados terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde se nota que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios, não existe mais carinho, não se valoriza mais as qualidades, só se ouve críticas. As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros. Por isso, os relacionamentos de hoje não duram. A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias de média e alta renda. Não vemos mais homens elogiando suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos se elogiando, amigos que fazem elogios. Só vemos pessoas fúteis valorizando artistas, cantores, pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por consequência, são pessoas que têm a obrigação de cuidar do corpo, do rosto e sempre se apresentar bem. Essa ausência de elogio tem afetado muito as famílias. A falta de diálogo nos lares, o excesso de orgulho, impedem que as pessoas digam o que sentem, levando assim essa carência para dentro dos consultórios médicos. Acabam com seu casamento porque procuram em outras pessoas o que não conseguem em casa. Vamos valorizar nossas famílias, amigos, alunos, mestres, subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza de nossos parceiros ou nossas parceiras, a sinceridade, a lealdade, a confiança, o comportamento de nossos filhos. Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos, o bom amigo, a boa dona de casa, a mulher que se cuida, o homem que se cuida, enfim, nós todos vivemos numa sociedade em que um precisa do outro, em que é impossível viver sozinho, e os elogios são a motivação da nossa vida. Quantas pessoas você poderá fazer feliz hoje, elogiando-as de alguma forma? Declarando-lhes amor, agradecendo a companhia, elogiando seu trabalho, sua maneira de ser!

Como será o amanhã?

Todos dizem que o tempo tá passando mais rápido. O ano mal começa e de repente, já acabou. O presente só existe por um breve momento, cadê o presente? Já passou! E o futuro? A Deus pertence? Quando somos jovens e desejos em realizar sonhos somos mobilizados pela pergunta: Como será o meu amanhã? Vou me realizar profissional, afetiva, espiritual e financeiramente? Este foi o tema da nossa roda na semana passada. Um jovem ansioso em relação ao seu futuro. Mas enquanto ele falava e nós o ajudávamos a nomear os seus sentimentos ele descobriu que o que o incomodava naquela tarde era sua vida amorosa. Segundo ele sua namorada não tem a mesma perspectiva de futuro que ele. Então abri para o grupo. Quem já esteve em um relacionamento no qual não via futuro e como superou? Refiz a pergunta várias vezes, como nos orienta Paulo Freire. Se a pessoa não entendeu explique outra vez de um jeito diferente. Algumas participantes compartilharam seus conflitos passados e a forma como superaram os relacionamentos sem futuro para si e para os filhos. Terminamos a roda seguros de que todos vivemos incertezas e momentos difíceis, mas que somos capazes de superá-los quando falamos, refletimos, aprendemos com o outro e nos enchemos de esperança no grupo. São as nossas atitudes hoje que orientam o nosso futuro. É preciso saber onde se quer chegar para saber a vigem que devem os fazer e quem será nossa (o) companheira (o) de jornada.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A catástrofe no Rio de Janeiro como tema escolhido numa roda

Nossa roda de Terapia está de volta, em 2011, a todo vapor. Algumas pessoas já me cobraram que eu não tenho postado sobre as rodas que faço. Explico: estávamos em férias. Mas vamos lá. Começamos o ano mal, com a tragédia no Rio de Janeiro. Algo que tem mobilizado até as pessoas menos sensíveis que eu conheço. Na roda de TCI desta semana o tema escolhido foi sobre este triste acontecimento em nosso país, "lindo por natureza"! Quando escolheram este tema eu fiquei com medo de ser um tema muito geral e não alcançar questões pessoais. A participante disse: "sofro ao ver estas pessoas morrendo e desabrigadas e eu não posso fazer nada por elas". Lancei o seguinte mote: "Quem já quis ajudar alguém e não pode? O que sentiu e como superou?" Várias pessoas se manifestaram. Uma contou-nos que o sogro estava na UTI e que ela gostaria de poder fazer algo por ele, mas que não pode. Disse que se sente impotente diante do sofrimento dele. Outro contou como foi difícil ver a mãe sofrendo até morrer e não poder fazer nada, mas que aprendeu a aceitar o que a vida tem a dar, mesmo que seja a morte. Por fim, não chegamos a um consenso, mas uma coisa é certa: a morte. Enquanto ela não chega vamos tentando fazer o nosso melhor na vida.

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade? (parte 2/2)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Algumas reflexões sobre a papel do terapeuta comunitário ( por Nicole Hugon)

A Terapia Comunitária exige da parte do terapeuta comunitário:
  • Um bom domínio da técnica de animação do grupo de TC.
  • Um trabalho pessoal de conscientização e crescimento, sobretudo na percepção de suas próprias pérolas: descoberta de seus recursos e competências adquiridas na superação de suas dificuldades, lhe permitindo confiar na capacidade do outro quando na superação dos obstáculos e na busca de soluções.
  • Um engajamento na comunidade com a qual compartilha o mesmo objetivo de crescimento e melhor qualidade de vida.

Nessas três dimensões é fundamental que o terapeuta caminhe ao lado da comunidade ao invés de uma atitude de cima para baixo. A ética da TC, seu valor fundamental, reside, sem duvida, nas possibilidades da relação horizontal, rompendo com o esquema tradicional da função do cuidador ou expert, onde aquele que sabe deve assumir uma posição vertical sobre aquele que sofre. Para nos, profissionais do cuidado, assumir a horizontalidade exige um esforço consciente sobre si mesmo, sempre renovado, jamais vencido a priori, qualquer que seja nossa boa vontade. Se trata de uma revolução cultural penosa. Ela exige, portanto, contradizer nossa ética profissional quotidiana, que nos propicia a responsabilidade solitária de competência e eficácia. Nosso risco permanente é regredir a posição original sempre que nos sentirmos em dificuldade no seio do grupo, por uma razão ou por outra.

A TC como formadora de novos padrões vinculares (parte 2)



De acordo com Bolwby (1989) as experiências primárias com o cuidador (pais ou responsáveis) iniciam o que depois se generalizará nas expectativas sobre si mesmo, dos outros e do mundo em geral, implicações importantes na personalidade em desenvolvimento. A imagem interna adquirida é considerada a base para todos os relacionamentos íntimos futuros. A pessoa adquire, na infância, um padrão de apego que reproduz ao longo da vida, nos relacionamentos sociais e parentais.
Nos casos de famílias abusivas, a construção da representação mental infantil tende a se dar de forma rígida, mal adaptada, inapropriada. Nesses casos a confiança da criança de que as pessoas podem compreender umas às outras através de seus próprios sentimentos é destruída (Dalbem & Dell’aglio, 2005). O que pode inibir a capacidade de o adolescente de se envolver em relacionamentos de apego mais intenso.
Com o passar do tempo a teoria do apego tomou diversas direções. Aqui nos interessa destacar uma destas vertentes: estudos sobre a ocorrência de eventos ao longo do ciclo da vida que possibilitam a mudança do tipo de apego. A TCI é uma forma de oferecer aos adolescentes e crianças um novo modelo vincular que eles poderão expandir para suas vidas.
Na TCI cremos na capacidade de resiliência do ser humano, a capacidade que possuímos de superar e transformar nossas experiências sofridas. A TCI “é um espaço de promoção da resiliência, pois pela partilha de experiência de vida os indivíduos reforçam a auto-estima, fortalecem os vínculos interpessoais, bem como estimulam a autonomia”. (Barreto, 2005, p. 99/100).Por acreditar no poder da TCI na formação de vínculo nós, terapeutas comunitários, estamos sempre atentos às necessidades do grupo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A magia do natal na arte da reformulação do ser (Nélio Azevedo)

Deus sacrificou seu único filho para te salvar Com esse gesto produziu uma cor - o amar Seus ensinamentos criaram outras cores Para que te construa, também, com valores Dentre outras coisas, te fez livre e inteligente Daí em diante, deu as tintas para que cada um se pinte Não te impede que peça alguém para fazê-lo Mas não se responsabiliza se não resultar num modelo Como colocar em prática os objetivos dessa missão Se faltavam instrumentos para facilitar a ação? Visando à criatividade, como a textura pastel Ofereceu o pincel Para numa tela em branco te pintar Ou em outra precisando de se reformar Ele oportunizou a motivação Como produtora de emoção Quando Jesus menino foi pintado para cumprir sua missão Foi esperado com festa em conjunção de coração Por isso, nem precisa de inspiração Use esse modelo cristão Visando sarar as feridas da sua época infantil Que é o que incomoda em cada adulto, de pueril Neste caso é seu próprio nenê Que só espera isso de você Faça escolhas com a íris Das cores do arco-íris Não se esqueça da magia Nem economize na energia Comprometa-se com o novo Que te resgate do ovo Mude o que não podia Construa sua autonomia Adicione nesse infante os ritos Seja tolerante com os gritos Preencha espaços com correria Pra que ele só tenha alegria Investigue as cores da tristeza, Substitua tudo por beleza Identifique o tom da dor E cubra-o todo com amor Cuide dos olhos com atenção Selecione o canal da satisfação Substitua as gotas do amargoso Pelas do brilho gostoso O sacrifício de Jesus não foi inútil Ele não faria isso por alguém fútil Não poupe pinceladas de orgulho de ti, Pois há registros do sangue e do amor dele por ti! Não cuide só da emoção Ou do que for crítico Fortaleça com tinta o coração Combine cores que desenvolvam o corpo e enfatizem espírito Pincelando no corpo um templo, um ninho, Retribua todo esse imenso carinho Destacando a intensa cor da bondade Para que se harnonize com a cor da divindade Você, que está sendo produzido, se não estiver sendo atendido Desgrude da tela, use a paleta para combinar o que te faz sentido Crie um matiz do poder, que foi herdado Para valorizar o que foi por ti realizado Tenha coragem de acrescentar algo mais do que quiser Receba tua criança restaurada pela fantasia da chaminé Seja, também, o presente dela - barba branca, gorro, roupa, tudo vermelho Dançem uno com a sinfonia das estrelas, como com a tua imagem no espelho É preciso ousar com o que se faz Para se ter um Natal da cor da paz. É preciso muita coragem para fazê-lo, Não é apenas esperando merecê-lo. Então, instrumentalizado, construa neste natal Utilizando todo esse arsenal Objetivando a reformulação do serEssa belíssima obra – você!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Matéria sobre a TCI no Correio Braziliense (Clique aqui)

O Correio Braziliense fez uma matéria, de Márcia Neri, sobre a Terapia Comunitária (TC). Eles entrevistaram o Dr. Adalberto Barreto e visitaram dois grupos de TC em Brasília: dos Correios e do TST. Clicando no título desta postagem você tem acesso à matéria, com o depoimento de alguns participantes e trecho de um artigo meu.

A foto é do grupo que eu participo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A TC como formadora de novos padrões vinculares (parte 1)

Incluir socialmente um indivíduo ou uma classe social parece ser tarefa do Estado. Porém, acreditamos que nós como cidadãos podemos e devemos colaborar com o desenvolvimento psicoafetivo e social do nosso próximo. Os jovens deste grupo e de muitos outros espalhados pelo Brasil sentem falta de apoio social, estão expostos à violência e outros estressores, não têm muita perspectiva de futuro. Tudo isso porque a ausência da figura de apego por trocas de cuidadores, associadas a perdas e separações precoces geram um sentimento de desamparo e impotência. Ninguém escolhe a família, o bairro ou o país onde nascer nenhum ser humano escolhe ser um excluído, viver à margem da sociedade e não ter acesso à educação superior. A exclusão “ao mesmo tempo em que molda a subjetividade do indivíduo, caracterizando-o muitas vezes como um ser que não pode criar, mas que deve repetir, esvazia-o das condições que o possibilitariam transcender uma compreensão imediata e estática da realidade” (Costa, 2004). Na TCI descobrimos que o desamparo, através do abandono e da exclusão, pode ser transformado pela capacidade de resiliência do participante, que é revelada e desenvolvida no grupo. É possível transcender a moldura imposta à subjetividade, a partir do momento em que o indivíduo tem compreensão da sua condição social, tem oportunidade de refletir sobre si e conhecer novas possibilidades de interação social. De alguma forma, por mínima que seja, podemos fazer algumas escolhas na vida. Se o excluído tiver alguma oportunidade de escolha ele viverá de uma forma distinta da que lhe fora determinada no “berço”, no mínimo mais consciente. Uma ação terapêutica grupal, como a Terapia Comunitária pode ser uma via que possibilita a inclusão social. Sentir-se incluído, aceito e valorizado na família viabiliza a inserção em outros grupos da sociedade. Quando a família falha há a possibilidade de ser aceito na escola e se esta também se mostra ineficaz os “amigos”, através das gangues ou o uso de drogas, certamente, preencheram esta falta. Jovens que não estabeleceram uma quantidade razoável de vínculos seguros podem encontrar na TC a oportunidade de novos padrões de vínculos saudáveis.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Não desistir do outro que está doente

A roda de hoje mal terminou e já corri pra “blogar”. O Mismec-DF está visitando todas as rodas do DF e a nossa foi a primeira a receber dois terapeutas: Iris e Pedro. Foi uma alegria recebê-los. A idéia é realizar um recadastramento de todas as rodas e terapeutas atuantes. Se você tem uma roda de TC procure o Mismec-DF, se aproxime, o Mismec-DF quer estar mais próximo de você em 2011. Eu estou amando a idéia. Vamos ao tema desta TC, a penúltima roda do ano. Uma participante trouxe sua preocupação e angústia com um sobrinho que está ‘vivendo’ no mundo das drogas. Ela disse: me sinto muito fraca, incapaz de ajudá-lo, meu coração dói. Eles cresceram juntos, como irmãos e ela não sabe o que fazer para ajudá-lo. Lancei o seguinte mote: Quem já se sentiu angustiado querendo ajudar alguém e o que fez pra superar esta angústia? Houve várias respostas: eu esperei a pessoa pedir ajuda; eu orei a Deus; eu me mostrei disponível; eu fui ao encontro da pessoa; eu fiz a minha parte, orientei e ofereci ajuda de forma concreta; eu e minha família superamos as dificuldades com AMOR. Concluímos, com a restituição a pessoa angustiada, que quando ela pensa não ter mais força descobre uma brasa no coração que a desperta, a brasa se converte em labaredas de fogo, que a capacita a não desistir da pessoa que ama.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quem já foi obrigado a fazer algo que não queria?

A Terapia Comunitária com o grupo de adolescentes de uma cidade satélite de Brasília neste mês é sobre um tema que nós adultos vivenciamos constantemente. Conversamos um pouco sobre o ano letivo que está se encerrando e os sucessos e fracassos de cada um. Depois um dos garotos, com 15 anos e constante no grupo, falou: “O que está me preocupando é que minha mãe vai me mandar morar com meu pai no Nordeste...meus amigos e minha namorada estão aqui em Brasília...quem eu conhecia lá tá usando droga.” Enquanto ele falava fiz algumas perguntas para ajudá-lo a identificar seus próprios sentimentos. Ele só conseguia dizer que estava mal. Eu disse: quando você está mal o que sente? Aos poucos (sem olhar para os colegas e meio envergonhado, como se admitir seus sentimentos fosse demonstrar fraqueza), ele foi reconhecendo sentir raiva, tristeza, revolta e receio do que o esperava em um lugar estranho (seria medo?). Lancei o seguinte mote: Quem já teve que ir obrigado pra algum lugar, como se sentiu e o que aconteceu? Algumas pessoas falaram que não queriam ter vindo pra Brasília, mas que conseguiram novos amigos. Outro falou que nada é para sempre, que foi para um lugar e voltou, às vezes é só um tempo. Ainda teve a experiência de quem podia ter ido pra droga, mas que procurou uma igreja na nova cidade e fez boas amizades. Aceitar que está sofrendo é muito difícil, para adolescentes pode ser sinal de fraqueza. Aprendi que preciso reconhecer meus sentimentos, para poder lidar com eles e que a estratégia do outro pode ser útil em minha vida, maximizando meus acertos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui"

Após três semanas retomamos nossa TC. Recebemos a visita de Vera uma terapeuta em formação que nos ensinou a dinâmica do boneco de lata amassado. Seguimos nossa roda e o tema do dia foi sobre a dificuldade de uma participante em aceitar as mudanças na sua vida. Porém, a arte de fazer perguntas em TC nos mostra que o tema apresentado é apenas o tema aparente, o que a pessoa consegue falar. Por trás deste há o tema latente, aquele que não é dito “na lata”, de imediato, seja por resistência (mecanismo de defesa inconsciente) ou por simples vontade de não se expor. Fazendo perguntas descobrimos que a dificuldade da participante em aceitar o novo, o diferente, em sua vida iniciou, segundo ela, numa experiência do passado. Chegou-se ao tema latente (pode haver várias causas inconscientes), a dificuldade de perdoar alguém do passado. Quando fui lançar o mote perguntei a ela. Você gostaria de ouvir sobre a dificuldade em lidar com as mudanças ou em vivenciar o perdão. Imediatamente ela disse: minha maior dificuldade é perdoar. Então lancei o mote: Quem já teve dificuldade em perdoar e depois conseguiu e como se sentiu? Silêncio total! As participantes que falaram apenas se identificavam com o tema, tinham a mesma dificuldade. Quando todos numa roda de TC vivenciam o mesmo problema fica difícil trabalhar o tema por identificação, temos que apelar para a criatividade. Como nenhum dos 25 participantes superou o problema eu contei um caso, um exemplo de superação, de alguém que conseguiu perdoar e não ficou na beira da estrada vendo a vida passar. A falta do perdão obstrui a vida e a pessoa não consegue “sair do lugar”, por medo do desconhecido privando-se de seguir no caminho e descobrir o que há depois da curva.

domingo, 7 de novembro de 2010

Matéria sobre a TC no uol ciência e saúde

Saiba como é uma roda de terapia comunitária Carla Prates Do UOL Ciência e Saúde Terapia traz alívio ao sofrimento causado por conflitos emocionais o método diminui encaminhamento para serviços de saúde. Terapia comunitária é diferente de psicoterapia. O método começa a ser levado a outros países.Um senhor, meio sem jeito, que nunca havia participado resolve falar: “Estou com um problema de relacionamento em casa. Moro com meu filho, minha nora e a netinha. Queria que eles tivessem mais consideração comigo”, desabafa o senhor, meio sem jeito, em uma roda de terapia comunitária de um parque da cidade de São Paulo. Confortado por uma das terapeutas, ele toma coragem e continua: “se eu não falo com meu filho, ele não fala comigo. Se eu conversar ele responde, mas não para me satisfazer”. Alguém diz que a situação faz lembrar a do pai que já morreu: “às vezes, queria conversar com ele, mas tinha alguma barreira, não conseguia tirar esse bloqueio”. O problema do senhor é eleito para ser compartilhado por todos na roda. E logo vem a pergunta: “o seu filho sabe que o senhor se sente assim? Não. E o que poderia acontecer se vocês conversassem sobre isso?” Ele muda de assunto, relata que sente muita insônia, vive sozinho e tenta se distrair. E a nova questão, agora para o grupo todo compartilhar suas experiências de vida: “Quem já teve dificuldade para expressar o que sente para outra pessoa que gosta e como fez para resolver? Surge um leque de respostas: “Já tive e guardei para mim mesma, fiquei sentida, mas não falo porque sei que é assim, as pessoas não ouvem”; “eu já falo das minhas necessidades, procuro sempre encontrar um amigo ou companheiro que me ouça porque isso resolve, eu que não deixo minha pressão subir”; “eu também tento comunicar a outra pessoa o que sinto de maneira respeitosa, não cobrando o outro porque daí ele pode ficar na defensiva”... O senhor ouve os depoimentos, atento. Antes do término, cada um relata o que aprendeu naquele dia: “que somos todos semelhantes e temos sempre algo a compartilhar”; “que nunca sabemos tudo da vida, mas sabemos um pouco de tudo e podemos fazer diferente”. O senhor, agora um pouco mais à vontade, agradece: “queria dizer obrigado a todos vocês”. E por aí a roda seguiu até o fim, com alguém puxando a música: “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...”. O senhor sorriu enfim e se uniu ao coro das vozes.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cora Coralina

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.

Não sei ...se a vida é curta ou longa demais para nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

O que importa na vida não é o ponto de partida, mas a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. Cora Coralina

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma dinâmica na hora da partilha?

Estive ausente por algumas semanas, férias. Agora vamos retomar com a rotina e com o blog. Durante três semanas o grupo de Terapia Comunitária com os adultos foi conduzido por um amigo, terapeuta corporal com formação também em arte terapia: Ivan Rezende. Que há mais de um ano conhece e colabora com o grupo sempre que pode. É sempre bom um outro olhar e uma nova atitude com um grupo regular de terapia, seja qual for a linha que você segue. O grupo esteve com este terapeuta por três semanas. Nesse tempo ele propôs ações diversas da TC. Em especial quero compartilhar aqui uma atividade muito interessante que ele conduziu.
Após um exercício corporal propôs-se uma dinâmica de partilha. Todos escreveram em um papel o problema que estavam vivendo naquele momento, sua dificuldade. Em seguida os textos foram trocados aleatoriamente, ninguém sabia de quem era o papel que pegou. Cada um leu e refletiu sobre o problema que “caiu” na sua mão. Todos foram orientados a comentar como lhe “bateu” a questão que leu, e se possível partilhar como se o problema fosse seu. Em seguida, abria-se para discussão dando a oportunidade a quem já viveu algo semelhante àquele problema compartilhar como superou.
Todos puderam se expressar, mesmo que por escrito, e ouvir as estratégias de enfrentamento dos seus problemas por outros que já vivenciaram. Ouvir outra pessoa falar do seu problema já favorece uma nova percepção de si e da questão.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Matéria sobre a TC com o grupo de trabalhadores, por Marta Crisóstomo.

Terapia Comunitária no TST fortalece autoestima e reforça cidadania dos terceirizados

Todas as sextas-feiras, há exatamente dois anos, uma roda se forma no térreo do bloco B do TST, embaixo da biblioteca. É lá que, às 14 horas, um grupo se reúne para falar e, principalmente, ouvir uns aos outros. Seus problemas, angústias, experiências, aprendizados, tudo é partilhado. Um fala de cada vez, e sempre na primeira pessoa, conforme as duas regras do programa estabelecidas e prontamente respeitadas. As sessões têm momentos de alegria e tristeza, mas o mais importante foi a criação de laços de confiança mútua entre os integrantes - colaboradores terceirizados da área de conservação e limpeza do Tribunal. Com isso, a roda de Terapia Comunitária, sob a supervisão da psicóloga Teresa Freire, se firmou e tem rendido frutos como ajudar os participantes a se fortalecer para enfrentar o dia a dia, já que lá podem desabafar e discutir problemas sérios, como a morte – às vezes o assassinato - de alguém querido, a prisão de um filho por drogas, a superação de uma crise de depressão, o rompimento indesejado de um romance. Tudo com muito carinho, respeito e solidariedade, adquiridos durante a convivência de na roda. De acordo com Teresa, que também é teóloga e filósofa, em média 25 pessoas, que têm jornada de 44 horas semanais, trabalhando inclusive aos sábados, atendem à terapia regularmente, mas o grupo pode chegar a 40, de acordo com a ocasião. Segundo ela, cerca de 30% estão na terapia comunitária desde o início, mas há muita rotatividade, por causa das demissões e transferências. Há 19 anos no TST e atualmente trabalhando na Biblioteca, a psicóloga explica que o projeto foi regulamentado pelo N.º 525/GDGSET de 16/10/2008, e teve no início a participação de mais duas terapeutas, que não puderam continuar o trabalho. “Tive medo de não conseguir tocar a terapia sozinha, mas felizmente tem dado certo”. Voluntária, seu ganho é o “salário afetivo”, como diz. Teresa coordena ainda um outro grupo de terapia comunitária com crianças do Varjão, e mantém um blog sobre as duas experiências: o http://terapiacomunitariapsicanalise.blogspot.com/.

O principal motor da terapia comunitária, afirma a psicóloga, é o reforço da autoestima que ela traz aos participantes, fruto do autoconhecimento gradualmente adquirido. Como resultado, eles passam a ter consciência de sua própria importância e atentam para sua cidadania, seus direitos e deveres; passam ainda a sonhar, e com isso reconhecer desejos, estabelecer objetivos, metas. A cada início de ano é perguntado aos integrantes qual sua meta para o período, e isso é periodicamente relembrado. No processo, são partilhadas estratégias para a consecução do objetivo. Teresa conta que, no início da terapia, os participantes tinham dificuldades de falar de si, e a discussão ficava muito no coletivo, em questões como problemas no trabalho. “Eles eram tímidos para usufruir de direitos simples, como pegar um atestado de saúde quando necessário”, conta ela. Houve, então, um período para orientação sobre essas questões. Com o passar do tempo e o ganho da confiança mútua, a fala passou a ser sobre o eu de cada um, e os participantes foram conseguindo partir do mundo concreto para o abstrato. Hoje, como disse A., uma integrante há um ano e 10 meses, há muito companheirismo e muita coragem da maioria de falar sobre sua vida. “Um dá força para o outro para se soltar”, afirma. E eles vêm se soltando mesmo. S., por exemplo, afirmou que nunca havia conseguido ler em público na vida, nem manifestar carinho dando abraço num colega. Com a terapia, “isso agora é fácil”, diz ela. Já V., que chegou na roda com depressão há dois anos, conseguiu, com a ajuda da terapia, buscar ajuda e hoje está praticamente livre da doença. De acordo com ela, “aprendi a me abrir na roda, a falar de mim e a escutar o que os outros dizem”, o que ajudou no processo de recuperação da depressão. Já I., que participa “quando pode”, a terapia comunitária trouxe mais calor humano ao Tribunal, e para ele “deveria haver mais rodas no TST e em outros lugares da vida, porque essa troca faz com que a gente passe a falar, ouvir, compartilhar e, especialmente, confiar”. (Marta Crisóstomo)
Texto retirado da intranet, na página do TST, acessado em 20/09/2010.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A TC é dinâmica e nos dá oportunidade para criar

Como já disse em outras postagens: fazer terapia com as mesmas pessoas todas as semanas exige um aprofundamento. A TC teve que ser adaptada porque o grupo passou a ser terapêutico. Assim, estou fazendo algumas mudanças. Com o objetivo de criar novas oportunidades para que tod@s falem, ao invés de perguntar qual o problema está tirando o seu sonho, tenho pedido para que alguém conte uma ou mais qualidades que possui e uma dificuldade que tenha.
Alguns reconhecem ser pacientes, honestos, tolerantes, bons ouvintes, alegres. Mas, por incrível que pareça algumas pessoas têm muita dificuldade em identificar qualidades em si. Então, faço a pergunta de outra forma: o que você sabe fazer bem? Se a dificuldade persistir eu peço ajuda ao grupo (que é formado por pessoas que trabalham juntas). Quem identifica alguma qualidade no fulano? Quando alguém identifica uma qualidade no participante, eu volto para ele e pergunto: você reconhece esta qualidade em você? Algumas vezes a pessoa não concorda que tenha tal qualidade. Então eu pergunto novamente para o grupo ... até o participante dizer: sim, eu tenho esta qualidade.
O objetivo é que o participante relembre e reconheça publicamente suas competências. O resultado tem sido muito bom. Há pessoas que sabe que possuem qualidade, mas não sabe nomear. “Eu tenho muitas qualidades, mas não sei dizer, é difícil!” Em seguida a pessoa fala sobre o que tem dificuldade... falarei sobre isso amanhã!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quando a boca cala o corpo fala

O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta. A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam. O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar. A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas. O peito aperta quando o orgulho escraviza O coração enfarta quando chega a ingratidão. A pressão sobe quando o medo aprisiona. As neuroses paralisam quando a “criança interna" tiraniza. A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Autor desconhecido

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"O perdão é a chave para a liberdade"

Mais uma vez o nosso tema na terapia foi o perdão: “Pra mim é muito difícil perdoar... eu fui traída durante a gravidez, todos sabiam, até minha família. Eu fui a última a saber e através de outras pessoas”. Perguntei a ela qual era o sentimento quando ela soube. “Eu senti raiva, ódio, vontade de matar os dois”. E hoje, qual o sentimento? Ainda tenho muita raiva, ainda quero esganar os dois”.
Cinco anos se passaram, eles não estão mais juntos, ele teve uma filha com a outra mulher e está sozinho. Após tanto tempo o sentimento é o mesmo e ainda a leva a chorar ao relembrar. Ela contou que raramente fala sobre este assunto: “fico com isso guardado, só pra mim”. Ter a oportunidade de falar de sua dificuldade e reconhecê-la é o primeiro passo para a superação. Outra participante contou uma experiência semelhante e disse que superou e, numa noite de Natal, abraçou o ex-marido e sua atual mulher. “Me senti leve, quando perdoei os dois”.
Na falta do perdão a pessoa segue a vida levando um peso sobre si, uma dor interminável. Devemos exercitar o perdão para aprender a exercê-lo. Então, devemos começar por pequenos desafios: se alguém pisa no seu pé, você desculpa; se chuta sua canela, você perdoa. Nas pequenas coisas você aprende a perdoar... até que um dia é capaz de perdoar quem feriu o seu coração. De repente, o peso que levava sobre as costas... que peso? Me senti leve!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os benefícios da Terapia Comunitária, pelos participantes

Fizemos uma roda especial para celebrarmos os dois anos de existência da TC com este grupo de trabalhadores. Após relembrarmos algumas rodas marcantes e os antigos participantes lancei o mote: Qual o benefício que a TC trouxe pra você? Após algumas respostas eu troquei o mote, na intenção de facilitar a elaboração das respostas. Afinal, pode ser que alguém não tenha entendido a pergunta e se ela for feita de outra maneira facilitará a compreensão. Perguntei: Após participar da roda pela primeira vez, o que te faz voltar na seguinte? Depois: O que você aprendeu participando deste grupo? Foram várias as respostas: # Lembro que quando eu tive depressão eu encontrei muito apoio aqui, foi nessa época que aprendi a olhar pra mim e a falar sobre mim, ante eu não me dava valor; # Aprendi a falar e abraçar, eu não conseguia dar os abraços no final da roda, ainda estou aprendendo a abraçar com mais naturalidade; #Este espaço diminui a distância entre as pessoas, acho que falta isso aqui no trabalho, a TC me ensina a ser mais humano; # Aqui foi a primeira vez que eu li em público, hoje eu consigo ler em público; # Quando meu irmão morreu, eu não tinha com quem falar em casa, todos estavam sofrendo muito. Aqui eu consegui por pra fora e encontrei apoio e compreensão. Aprendi a me comunicar mais e melhor, hoje eu não guardo nada pra mim; # Eu aprendi a ouvir, a tratar melhor as pessoas e fiz muitas amizades.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dia do psicólogo e da psicóloga, claro!

Hoje comemoramos o dia do psicólogo, escolhi um poeminha bem conhecido que eu acho que nos define bem e de forma leve e despojada. Parabéns a tod@s que dedicam ao próximo o seu interesse, estudo, escuta e acolhida. A você que se alegra quando o outro descobre que pode ser melhor do que era ... (e isso nos faz melhores também) PARABÉNS!
Psicológo
... Não adoece, somatiza. Psicólogo não estuda, sublima. Psicólogo não fofoca, transfere. Psicólogo não conversa, pontua. Psicólogo não fala, verbaliza. Psicólogo não transa, libera libido. Psicólogo não é indiscreto, é espontâneo. Psicólogo não dá vexame, surta. Psicólogo não tem idéias, tem insights. Psicólogo não resolve problemas, fecha gestalts. Psicólogo não pensa nisso, respira nisso. Psicólogo não muda de interesse, muda de figura e fundo. Psicólogo não come, internaliza. Psicólogo não pensa, abstrai. Psicólogo não é gente, é um estado de espírito

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Depoimento da Nilda, uma participante da TC

Bom, a Terapia Comunitária tem sido um espaço de coragem e determinação. Desde que participo deste grupo consigo me expressar com mais facilidade. Aprendi a ser atenciosa diante de desabafos e lamentações de colegas da roda. Sinto que posso ser uma pessoa de mais atitude, através da coragem e do companheirismo que encontrei neste grupo.
Quando eu participo da roda sinto que posso ser uma pessoa melhor através do amor, da compreensão e da coragem. Quando eu não participo sinto falta deste grupo maravilhoso que é a TERAPIA COMUNITÁRIA.
Nilda

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Reiniciando o grupo com adolescentes

Após dois meses sem Terapia Comunitária (TC) com o grupo de garotos adolescentes da periferia de Brasília reiniciamos neste sábado. Havia 25 meninos entre 8 e 17 anos, apenas 5 conheciam a TC, vinte eram novatos. Sabendo que o grupo estava se renovando propusemos uma dinâmica de apresentação. Levei uma sacola com vários objetos e brinquedos: lanternas, bola, luva de Box, CD, dinossauro, livro etc... Cada um escolhe um objeto, diz o seu nome, idade, data de aniversário, série que estuda, porque escolheu aquele objeto, e o que mais gosta de fazer e qual sua maior competência (a pergunta é: o que você faz bem feito?). Para alguns é fácil dizer “eu sou bonito”, “gosto de jogar bola e de brincar”. Outros só conseguem dizer o nome e a idade, então nós fazemos algumas perguntas para ajudá-los a se expressarem. O que você gosta de fazer? Qual sua matéria favorita, na escola? Todos os dados foram anotados e faremos uma lista dos aniversariantes dos meses a ser fixada no espaço onde fazemos a roda. Explicamos o que é a TC e como ela funciona e suas regras. Aliás, quem explicou e orientou os novatos, no decorrer da roda, foram os veteranos. Também contamos com uma estudante de TC, que nos alegrou com sua presença.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dois anos de vida (link para TC no trabalho)

A Terapia Comunitária com o grupo de terceirizados em um órgão público em Brasília está completando dois anos. Nesses dois anos muitas pessoas foram demitidas ou foram transferidas, outras foram contratadas e entraram para o grupo, algumas deixaram de comparecer aos encontros. Mas há aqueles que estão desde a primeira roda, neles percebemos uma grande evolução. Para manter um grupo com os mesmos participantes por tanto tempo é preciso muita determinação e criatividade. Para que a proposta não caia numa rotina e para que as pessoas possam aprofundar suas questões o grupo passou a ter um caráter terapêutico. Muitas vezes não há questões práticas a serem compartilhadas, mas marcas profundas deixadas pela vida. Ter uma dinâmica de interação diferente a cada encontro é um desafio, sempre solicito a contribuição do grupo, nem sempre eles correspondem. Fazer a terapia em apenas uma hora, o tempo que eles são liberados para a roda, também é difícil, especialmente quando o grupo é grande, mais de 30 participantes. Ver uma pessoa que ficou um ano e meio participando das terapias sem compartilhar nada de si, um dia começar a falar e, em duas sessões, contar suas histórias de rejeição ao longo da vida: não tem preço. Parece que foi preciso muito tempo para que ela acreditasse que não seria rejeitada também nesta roda se ela se revelasse. O que eu aprendi e amadureci em dois anos ... não tem preço. Como diz Adalberto Barreto: “o salário da TC é o salário afetivo”. A todos que já passaram por esta roda e aos que ainda estão aqui: PARABÉNS E MUUUUUITO OBRIGADA!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Em vez de você ficar pensando nele, pense em ti, chore por ti, liga pra ti...

O tema desta semana foi sobre amor. É sempre bom falar de amor! Veja o resumo da fala da participante: “Estamos juntos a quatro meses. Inventaram umas coisas sobre mim e a família dele acreditou. Então ele disse que não queria ficar namorando escondido, se eu não posso nem ir a casa dele. Hoje foi a gota d’água, ele disse que saiu com outra garota e que vai tentar me esquecer. Estou me sentido humilhada, tá doendo muito. Ele disse pra eu ligar a hora que eu quiser e que podemos ser amigos. Eu não quero ser amiga dele. O que vocês acham que eu devo fazer?” Nesta roda de TC só havia mulheres e todas começaram a falar pra ela não chorar por homem nenhum e dizer o que ela deveria fazer. Então eu disse que não deveríamos criticá-la ou dar conselhos. Que é muito fácil dizer o que é ideal numa situação desta, mas o ideal, muitas vezes, nem nós conseguimos fazer. Orientei o grupo a contar uma experiência semelhante e como ela foi superada. Algumas contaram como doeu a separação e partilharam suas estratégias para superar o término de um relacionamento. Ao final o grupo se comprometeu a ajudá-la: toda vez que ela ficar pensando em procurá-lo pode ligar pra qualquer uma de nós para desabafar. Quando um grupo de terapia chega nesse estágio de comprometimento com a dor do outro é porque alcançou um alto nível de solidariedade, compreensão e a cumplicidade. É sinal de que a terapia tem favorecido o desenvolvimento de competências e habilidades sociais que podem ser desenvolvidas para além do grupo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Luas e luas

His­tó­ria ori­gi­nal de James Thur­ber, Adap­tada por Luiz Car­los Ramos a par­tir da ver­são de Rômulo Cân­dido de Souza
Era uma vez uma prin­ce­si­nha que ficou muito doente. O rei fez de tudo pra que ela ficasse boa nova­mente. Mas os médi­cos do reino não con­se­guiam curá-la. Deses­pe­rado, o rei, junto ao leito da filha, disse-lhe: “Pede-me o que qui­se­res para que fiques boa.” Então a prin­ce­si­nha res­pon­deu: “Eu quero a Lua!” O rei ficou apa­vo­rado. Cha­mou todos os sábios do reino para ver como resol­ver o pro­blema. Os astrô­no­mos dis­se­ram: “Impos­sí­vel, está muito longe!” Os enge­nhei­ros dis­se­ram: “Impos­sí­vel, é muito pesada!” Os eco­no­mis­tas dis­se­ram: “Impos­sí­vel, cus­ta­ria muito dinheiro!” Os mate­má­ti­cos fize­ram seus cál­cu­los e dis­se­ram: “Impos­sí­vel, leva­ria muito tempo!” e assim por diante. O bobo da corte, que até então só ficara ouvindo e vendo o deses­pero do rei, arris­cou: “Majes­tade, se me per­mi­ti­res, tal­vez eu possa ajudar.” O rei estava cético, mas na falta de alter­na­ti­vas resol­veu dar uma chance ao bobo. O bobo foi até o quarto da prin­ce­si­nha: “Boa noite, prin­ce­si­nha! Então, você quer a Lua, não é? E como é mesmo a Lua? Do que ela é feita?” “Ora, seu bobo, todo mundo sabe que a lua é feita de prata, e que é assim, deste tama­nho…” (e fez um pequeno cír­culo jun­tando os indi­ca­do­res e os polegares). Então o bobo disse: “Ah, claro!” E abriu a janela do quarto. A lua cheia bri­lhava alta no céu. E, voltando-se pra prin­ce­si­nha: “Olha, agora ela está muito alta. Mas quando esti­ver mais baixa, ali perto daquela árvore, eu subo lá e pego a lua pra você. Agora des­canse, ela ainda vai demo­rar pra abaixar.” A prin­ce­si­nha ficou des­can­sando e o bobo pediu ao rei auto­ri­za­ção para ir até o tesouro real. Lá esco­lheu uma meda­lha de prata, mais ou menos do tama­nho que a prin­ce­si­nha tinha dito que era o da Lua. Colo­cou numa cor­rente e espe­rou amanhecer. No outro dia, o rei e todos do palá­cio anda­vam curi­o­sos atrás do bobo que se diri­gia ao quarto da prin­ce­si­nha. O bobo entrou no quarto com as mãos pra trás. “Bom dia, prin­ce­si­nha, que acaba de acor­dar com um beijo do sol bem na ponta do nariz! Adi­vi­nha o que eu trouxe pra você?” E lhe esten­deu as mãos com a meda­lha de prata! Os olhos da prin­ce­si­nha bri­lha­ram, e ela excla­mou: “A Lua!” E o rei: “A Lua!” E todos repe­ti­ram: “A Lua! A Lua! A Lua!” Naquela mesma noite, a prin­ce­si­nha e o bobo esta­vam olhando pela janela, e a lua tor­nou a apa­re­cer no céu. Todos fica­ram apre­en­si­vos. Então o bobo arrematou: “Veja só como Deus é mara­vi­lhoso. Ontem rou­ba­mos a lua, e Ele já pôs outra no lugar!” E ela: “Seu bobo, Deus sem­pre faz isso quando cor­ta­mos as unhas!” E a prin­ce­si­nha sarou completamente!